O Dr. Vinicius Rodrigues observa que muitas mulheres que concluíram o tratamento do câncer de mama acreditam que o acompanhamento ideal envolve exames frequentes de todo o corpo. A expectativa é compreensível, mas contraria as recomendações atuais. Para quem não tem sintomas, o seguimento costuma ser mais simples do que se imagina e tem a mamografia como peça central, ao lado das consultas clínicas.
Com que frequência fazer a mamografia?
Na maior parte dos casos, a mamografia passa a ser anual. Para quem fez cirurgia conservadora, que preserva parte da mama, o primeiro exame após o tratamento costuma ser realizado entre seis meses e um ano depois do fim da radioterapia, servindo como nova referência para as comparações futuras.
O intervalo anual vale tanto para a mama tratada quanto para a outra. A periodicidade pode ser ajustada conforme o tipo de tumor, a idade e o histórico genético, sempre a critério da equipe que acompanha a paciente. Manter o exame no mesmo serviço, quando possível, facilita o acesso às imagens anteriores e torna a comparação mais precisa.
A mama operada tem aparência diferente na imagem
A cirurgia e a radioterapia deixam marcas que aparecem na mamografia. Cicatrizes, espessamento da pele, áreas de retração e pequenas calcificações decorrentes da cicatrização são achados esperados nos primeiros anos e costumam se estabilizar com o tempo.
Uma das alterações mais comuns é a necrose gordurosa, área de gordura danificada pelo procedimento que pode formar nódulo ou calcificações. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a comparação com os exames feitos logo após o tratamento é o que permite distinguir essas alterações benignas de uma eventual recidiva, já que a cicatriz estável tende a se manter igual ou diminuir.
E quem fez mastectomia?
Quando toda a mama foi retirada, não há indicação de mamografia de rotina no lado operado, mesmo com reconstrução. O acompanhamento dessa região é feito pelo exame clínico, e exames de imagem entram apenas diante de alguma alteração percebida.
A mama do outro lado continua precisando de mamografia anual. Mulheres que já tiveram câncer em uma mama têm risco maior de desenvolver um novo tumor na outra, o que torna o rastreamento contralateral parte essencial do seguimento. Em mulheres com mutação genética, a ressonância pode ser associada para aumentar a sensibilidade da avaliação.
Quando outros exames são indicados
A ressonância magnética pode complementar a mamografia em situações específicas, como mutações genéticas, mamas muito densas ou diagnóstico em idade jovem. A ultrassonografia é usada para esclarecer achados e avaliar a axila quando necessário, sem substituir a mamografia como exame principal do seguimento.
Já tomografias, cintilografias ósseas e marcadores tumorais no sangue não são recomendados de forma rotineira para mulheres sem sintomas. Estudos mostraram que esses exames, feitos periodicamente, não aumentam a sobrevida e podem gerar achados inconclusivos que levam a procedimentos desnecessários. Na leitura de Vinicius Rodrigues, a investigação ampliada deve ser direcionada por queixas e sinais clínicos.
Sintomas que justificam antecipar a consulta
O acompanhamento não depende só do calendário. Nódulo novo na mama ou na axila, alterações na pele ou na cicatriz, dor óssea persistente, tosse que não melhora, falta de ar, dor de cabeça diferente do habitual e perda de peso sem explicação devem ser comunicados à equipe sem esperar a próxima consulta.
As consultas periódicas também servem para tratar efeitos do tratamento, como alterações hormonais, inchaço do braço, efeitos de medicamentos de uso prolongado e impacto emocional. Conforme orienta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o seguimento após o câncer de mama combina exames de imagem regulares, atenção aos sintomas e cuidado com a qualidade de vida, e não uma bateria de testes sem indicação.