A modernização da infraestrutura que sustenta o mercado financeiro está no centro de um projeto apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição aprovou R$ 22,28 milhões para a BRITech desenvolver o Janus, uma plataforma tecnológica voltada à integração de processos financeiros e à rastreabilidade de ativos.
O anúncio, divulgado em 5 de outubro de 2026, prevê uma solução baseada em computação em nuvem, com funcionamento no modelo SaaS e recursos de inteligência artificial. A proposta não é apresentada como um produto já disponível para todos os participantes do mercado, mas como um projeto de desenvolvimento tecnológico financiado pelo programa BNDES Mais Inovação.
Segundo a Agência BNDES de Notícias, o Janus deverá conectar sistemas tradicionais usados por instituições financeiras a fluxos digitais relacionados à emissão, ao controle, à transferência, à conciliação, à liquidação e ao acompanhamento de ativos.
O que a plataforma pretende resolver
Em operações financeiras, diferentes etapas podem depender de sistemas específicos, bases de dados distintas e integrações entre empresas ou áreas internas. Quando essas estruturas não conversam de forma eficiente, aumentam a complexidade operacional e a necessidade de conferências, controles paralelos e adaptações entre padrões tecnológicos.
É nesse ponto que a plataforma proposta pela BRITech se posiciona. A solução deverá reunir, em uma arquitetura tecnológica integrada, processos que fazem parte do ciclo de vida dos ativos. O escopo informado inclui atividades de custódia, escrituração e negociação de valores em ambientes de balcão e bolsa, além dos procedimentos de registro, conciliação e liquidação.
Na prática, a intenção é criar uma camada capaz de conectar sistemas legados — estruturas mais antigas que continuam sendo utilizadas por instituições — a novas aplicações digitais. Isso pode facilitar a circulação de informações entre diferentes etapas de uma operação, embora o anúncio do financiamento não permita afirmar quais instituições usarão a plataforma nem quando ela estará disponível comercialmente.
Como entram a nuvem e o modelo SaaS
A arquitetura em nuvem indica que os recursos tecnológicos do Janus serão estruturados para operar em ambientes computacionais acessados pela internet, em vez de depender exclusivamente de instalações locais. Já o modelo SaaS, sigla em inglês para software como serviço, normalmente organiza o acesso a uma aplicação por meio de uma infraestrutura mantida pelo fornecedor.
Para o mercado financeiro, esse desenho pode ser relevante porque permite concentrar diferentes funções em uma plataforma tecnológica comum. O objetivo descrito para o projeto inclui apoiar processos que exigem controle de informações, integração entre participantes e acompanhamento das movimentações de ativos. A computação em nuvem, por si só, não elimina exigências regulatórias ou operacionais, mas pode fazer parte da modernização dos sistemas utilizados pelas empresas.
A inteligência artificial também aparece como um dos componentes do Janus. A fonte oficial não detalha, no material divulgado, quais modelos serão empregados ou quais tarefas serão automatizadas. Portanto, o financiamento não deve ser interpretado como garantia de que a plataforma substituirá decisões humanas ou controles existentes. O que está confirmado é a previsão de incorporar recursos de IA ao desenvolvimento da nova infraestrutura.
Por que a rastreabilidade é importante
A rastreabilidade permite acompanhar o histórico e o percurso de informações ou ativos ao longo de uma operação. Em um ambiente que envolve emissão, transferência, custódia, negociação e liquidação, esse acompanhamento pode contribuir para organizar registros e identificar as etapas pelas quais determinado processo passou.
Ao incluir a rastreabilidade entre seus objetivos, o Janus se aproxima de uma necessidade estrutural do mercado financeiro: manter informações consistentes entre sistemas que participam de uma mesma operação. A plataforma também deverá contemplar mecanismos relacionados à conciliação, etapa destinada a comparar registros e verificar se os dados de diferentes ambientes estão alinhados.
Esses recursos podem melhorar a eficiência dos processos internos e reduzir a dependência de integrações feitas caso a caso. Ainda assim, os efeitos concretos dependerão da execução do projeto, da adoção por instituições e da compatibilidade com os ambientes em que a solução venha a operar.
O papel do BNDES no desenvolvimento tecnológico
O apoio ocorre por meio do BNDES Mais Inovação, programa utilizado para financiar iniciativas de desenvolvimento tecnológico. Nesse caso, o banco aprovou R$ 22,28 milhões para a BRITech, direcionando o crédito à criação de uma plataforma voltada a uma área estratégica da economia: a infraestrutura de funcionamento do mercado financeiro.
O anúncio mostra uma frente diferente do uso mais visível da inteligência artificial, associado a assistentes virtuais e ferramentas de produtividade. No projeto Janus, a tecnologia é planejada para atuar nos bastidores, conectando sistemas e apoiando processos de registro, controle e movimentação de ativos.
Ainda não foram divulgados, na fonte consultada, detalhes sobre o cronograma de conclusão, a data de lançamento ou a lista de instituições que poderiam adotar a solução. Por isso, o principal resultado conhecido até agora é a aprovação do financiamento para o desenvolvimento tecnológico. A evolução do projeto deverá indicar como a BRITech transformará a proposta em uma plataforma efetivamente utilizada pelo mercado.