O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, assumiu como uma de suas missões ajudar famílias a distinguir o esquecimento natural daquilo que sinaliza algo mais sério. Esquecer onde guardou as chaves pode ser apenas distração, mas certos sinais merecem um olhar bem mais cuidadoso quando surgem na terceira idade, e reconhecê-los a tempo faz toda a diferença.
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Quais são as doenças neurodegenerativas mais comuns na terceira idade?
Entre os quadros que mais afetam a população idosa, a doença de Alzheimer ocupa posição de destaque, caracterizada pela perda progressiva de memória e funções cognitivas. A doença de Parkinson, por sua vez, compromete o controle dos movimentos, gerando tremores, rigidez e lentidão que afetam profundamente a rotina. Ambas avançam de forma gradual, o que muitas vezes retarda a percepção da família sobre a gravidade da situação.
Segundo Yuri Silva Portela, existem ainda outras condições menos conhecidas, como as demências vasculares e a demência por corpos de Lewy, cada qual com características próprias e desafios específicos de manejo. O que une essas enfermidades é o caráter progressivo e a interferência marcante na autonomia do paciente, tornando o acompanhamento especializado indispensável desde os primeiros indícios de alteração.
Como diferenciar o esquecimento comum dos sinais de alerta?
Esquecer compromissos ocasionais ou demorar para lembrar um nome faz parte do funcionamento normal do cérebro em qualquer idade. O problema surge quando as falhas de memória passam a interferir nas atividades cotidianas, como esquecer o caminho de casa, repetir as mesmas perguntas em curtos intervalos ou ter dificuldade para realizar tarefas antes dominadas com facilidade. Nesses casos, Yuri Silva Portela alude que a frequência e a intensidade dos sintomas merecem atenção, pois podem indicar alterações cognitivas que vão além do envelhecimento natural.

Mudanças de comportamento também acendem o sinal de alerta. Alterações bruscas de humor, desconfiança injustificada, dificuldade de concentração e desorientação no tempo e no espaço indicam que uma avaliação profissional se faz necessária. Reconhecer esses padrões precocemente permite intervir antes que o quadro avance de maneira irreversível e mais limitante. Quanto mais cedo ocorre a identificação dessas manifestações, maiores são as possibilidades de planejamento e acompanhamento adequados.
O trabalho conduzido pelo doutor Yuri Silva Portela enfatiza que familiares costumam ser os primeiros a perceber tais mudanças, ainda que muitas vezes minimizem os sintomas atribuindo-os apenas à idade. Estar atento e buscar orientação especializada diante de qualquer suspeita representa o passo mais responsável que se pode dar nessas circunstâncias. Essa postura favorece diagnósticos mais precisos e amplia as oportunidades de oferecer ao paciente um cuidado mais completo e humanizado.
Por que o diagnóstico precoce muda o curso da doença?
Assim como destaca o doutor Yuri Silva Portela, quanto antes uma doença neurodegenerativa é identificada, maiores as chances de implementar estratégias que retardem sua progressão e preservem a qualidade de vida. Tratamentos iniciados em estágios iniciais oferecem resultados mais consistentes, permitindo que o paciente mantenha autonomia por períodos mais longos e participe ativamente das decisões sobre seu próprio cuidado. Além disso, o acompanhamento precoce possibilita ajustes terapêuticos mais eficazes e a adoção de hábitos que favorecem a saúde cognitiva e funcional.
O diagnóstico antecipado beneficia igualmente as famílias, que ganham tempo para se organizar, planejar e construir uma rede de apoio adequada. Iniciativas como o Humaniza Sertão demonstram que levar conhecimento e atendimento a comunidades distantes reduz o atraso no diagnóstico, problema especialmente grave em regiões com acesso restrito a especialistas. Esse suporte contribui para que pacientes e familiares enfrentem a condição com mais informação, preparo e segurança, reduzindo impactos emocionais e melhorando o cuidado ao longo do tempo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez