Segundo o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, a eflorescência é um dos fenômenos mais visualmente impactantes e tecnicamente incompreendidos em obras de pavimentação intertravada. As manchas brancas que surgem na superfície do paver logo após a execução ou durante os primeiros meses de uso geram dúvidas, reclamações e, com frequência, um diagnóstico equivocado de defeito de fabricação.
A origem química do problema é o que separa uma resposta técnica competente de uma intervenção que não resolve nada. O fenômeno não nasce do nada e raramente desaparece sem que as condições que o originaram sejam corrigidas. Se você já se deparou com manchas brancas em paver e não soube ao certo o que causou ou como agir, este artigo oferece uma leitura direta e tecnicamente embasada sobre o tema. Confra!
O que são as manchas brancas no concreto e por que elas aparecem no paver?
A eflorescência é o resultado da migração de sais solúveis presentes na composição do concreto, principalmente hidróxido de cálcio, para a superfície do bloco. Esse processo ocorre quando a água percola pelo interior do material, dissolve os compostos solúveis e os carrega até a superfície, onde evaporam e deixam o depósito branco característico.
A partir do que pontua o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, o gatilho principal é sempre a presença de umidade em quantidade e movimento suficientes para promover esse transporte interno. Existem dois tipos de eflorescência que merecem distinção técnica. A eflorescência primária surge logo nos primeiros dias ou semanas após a fabricação ou assentamento, geralmente associada à cura inadequada do bloco ou à exposição precoce à umidade intensa.
A eflorescência indica problema no paver ou na execução do pavimento?
Essa é a pergunta que mais gera conflito entre fabricantes e executores, e a resposta honesta é: pode ser os dois, e frequentemente é uma combinação de fatores. Como sugere o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, com atuação na indústria de artefatos de cimento, atribuir a causa exclusivamente ao produto sem avaliar as condições de execução e o projeto de drenagem é um erro técnico que compromete qualquer diagnóstico.
Da mesma forma, culpar apenas a execução quando o índice de absorção do bloco está acima do recomendado pela ABNT NBR 9781 também não resolve o problema. Os fatores de execução, que mais contribuem para o aparecimento de eflorescência, incluem o uso de areia de cama com teor elevado de finos argilosos, a ausência de caimento adequado para escoamento da água superficial e o fechamento de juntas com material cimentício em excesso.

Como reduzir a ocorrência de eflorescência com manutenção preventiva?
A manutenção preventiva no piso intertravado tem papel direto na redução da eflorescência secundária. Como considera o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, o reenchimento periódico das juntas com areia seca e de granulometria adequada é uma das medidas mais simples e mais eficazes para limitar a infiltração de água no sistema. A junta aberta é caminho livre para a água, e água em movimento dentro do pavimento é o principal vetor da eflorescência.
Por este panorama, a limpeza das manchas já instaladas deve ser feita com produtos adequados ao tipo de sal depositado. Para eflorescências primárias recentes, a escovação seca seguida de lavagem com água pressurizada resolve na maioria dos casos. Para depósitos mais antigos e endurecidos, soluções ácidas diluídas são aplicadas com cautela, sempre com neutralização posterior e enxágue abundante, para evitar que o ácido residual acelere novas reações na superfície do concreto.
Eflorescência como sintoma: o que ela revela sobre o estado do pavimento?
Tratar a eflorescência apenas como um problema estético é subestimar o que ela comunica tecnicamente. As manchas brancas na superfície do paver são, em muitos casos, o primeiro sinal visível de que o sistema de pavimentação está recebendo mais água do que consegue drenar, ou de que a base está em processo de degradação por saturação. No fim, o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, resume que ignorar esse sinal e apenas limpar a superfície é o equivalente a apagar a luz de alerta no painel do carro sem verificar o motor.
O olhar técnico sobre a eflorescência no paver precisa integrar produto, execução e projeto em uma análise sistêmica. O Brasil dispõe de normas, fabricantes qualificados e profissionais capazes de entregar pavimentos intertravados de alto desempenho e longa durabilidade. O que ainda falta, em muitos casos, é a disposição de tratar cada etapa do processo com o rigor que o sistema exige. E esse rigor começa no diagnóstico correto, não na vassoura ou no balde de ácido.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez