O Banco Central manteve o ciclo de redução dos juros e levou a Selic para 13,75% ao ano. A informação consta na edição de setembro do Relatório de Política Monetária (RPM), divulgada em 24 de setembro de 2026. O documento também indica uma desaceleração da economia brasileira e reforça que a inflação continua acima da meta oficial.
A taxa básica foi reduzida após cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de agosto e setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão mais recente foi tomada na reunião encerrada em 16 de setembro, com vigência a partir do dia seguinte, conforme os registros oficiais do Banco Central do Brasil na ata do Copom.
Apesar da queda, a Selic em 13,75% permanece em nível elevado. Na prática, a política monetária ainda busca restringir a demanda e evitar que a inflação se distancie ainda mais do objetivo definido para o país. Ao mesmo tempo, a redução gradual dos juros pode aliviar, de forma progressiva, o custo de algumas operações de crédito e apoiar decisões de consumo e atividade empresarial.
Selic cai, mas continua em patamar elevado
O cenário descrito pelo Banco Central combina juros menores com a manutenção de fatores de risco. A autoridade monetária avalia que ainda é necessário agir com cautela diante da desancoragem das expectativas de inflação, das incertezas no ambiente externo e dos riscos relacionados à trajetória fiscal e à política econômica.
Essa combinação limita o espaço para cortes mais acelerados. Embora a queda da Selic reduza o custo de referência da economia, empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito não acompanham necessariamente o movimento na mesma velocidade. As condições finais dependem também do risco da operação, do prazo, das garantias e do perfil de cada tomador.
Banco Central reduz projeção de crescimento do PIB
O Relatório de Política Monetária mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026. O resultado ficou abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano, sinalizando perda de ritmo da atividade econômica.
Para o conjunto de 2026, o Banco Central projeta crescimento de 1,8% para a economia brasileira. A estimativa representa uma desaceleração em relação aos avanços de 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Para 2027, a previsão apresentada no relatório é de expansão de 1,4% do PIB.
A projeção coloca a política de juros no centro do equilíbrio entre dois objetivos: conter a inflação e evitar uma desaceleração mais intensa da atividade. Empresas podem adiar investimentos e contratações quando o crédito permanece caro, enquanto famílias tendem a rever compras financiadas e decisões que dependem de empréstimos.
Inflação segue acima da meta e exige cautela
Segundo o Relatório de Política Monetária do Banco Central, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,7% em maio para 4,2% em agosto. Mesmo com a redução, o índice continua acima da meta de 3% mencionada no documento.
As expectativas dos analistas para a inflação de 2026 estão em 4,9%. Para 2027 e 2028, as projeções são de 4,3% e 3,8%, respectivamente. O Banco Central também avalia que os preços podem voltar a subir até o fim do ano, especialmente se houver aceleração dos alimentos.
Esse quadro ajuda a explicar por que a redução da Selic ocorre de maneira gradual. A queda dos juros pode favorecer o crédito e a atividade econômica, mas cortes mais intensos, em um ambiente de expectativas elevadas, poderiam dificultar o processo de convergência da inflação para a meta.
O que a decisão pode mudar para crédito e empresas
Para consumidores e empresas, a Selic em 13,75% indica que o dinheiro continua caro, ainda que a trajetória recente seja de redução. Empréstimos, financiamentos e capital de giro permanecem sujeitos a custos elevados, o que pode influenciar o planejamento financeiro, o consumo e a expansão dos negócios.
O nível da taxa básica também afeta decisões de alocação de recursos e a comparação entre diferentes alternativas financeiras. No entanto, os efeitos não são imediatos nem iguais para todos os participantes do mercado. A transmissão da política monetária depende das condições de crédito, das expectativas, da inflação e do comportamento da atividade econômica.
O Banco Central, portanto, mantém uma estratégia de flexibilização moderada, sem indicar abandono da cautela. A evolução dos preços, das expectativas, das contas públicas e do cenário internacional deverá continuar sendo determinante para os próximos passos do Copom.