Ibovespa terminou o pregão desta quinta feira em alta, impulsionado pela Vale, depois de um dia marcado por forte oscilação provocada pelo anúncio de reajuste do Bolsa Família e pela decisão do Banco Central sobre os juros
O mercado financeiro brasileiro viveu uma sessão de fortes altos e baixos nesta quinta feira, 17 de setembro, mas conseguiu fechar o pregão em território positivo. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, encerrou o dia com alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos, depois de oscilar entre uma mínima de 183.242,37 pontos e uma máxima de 186.740,72 pontos ao longo da sessão, um intervalo que evidencia o grau de nervosismo dos investidores diante do noticiário econômico e político do dia.
Um pregão marcado por notícias fiscais e eleitorais
A volatilidade do dia teve origem, em boa parte, no anúncio feito pelo governo federal de um reajuste de aproximadamente 15% nos valores pagos pelo programa social Bolsa Família, que passa a valer já para os pagamentos de outubro. Com a medida, o valor mínimo do benefício, hoje em R$ 600, sobe para R$ 691 por família. Segundo a equipe econômica, o ajuste tem como objetivo repor a inflação acumulada desde o início do atual governo, mas o mercado reagiu de forma imediatamente negativa à notícia, diante da preocupação com o impacto fiscal da medida.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o custo estimado do reajuste do Bolsa Família é de R$ 5,8 bilhões neste ano e deve saltar para R$ 22 bilhões em 2027, valores que reacenderam entre investidores o debate sobre a trajetória das contas públicas brasileiras em um momento de eleições presidenciais no horizonte. A reação inicial do mercado foi de queda tanto na bolsa quanto no real frente ao dólar, movimento que só foi revertido ao longo da tarde.
Além da notícia fiscal, o mercado também repercutiu o resultado de uma nova pesquisa eleitoral divulgada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro ampliando sua vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno da eleição presidencial, ainda que os dois nomes sigam tecnicamente empatados. Para analistas de mercado, o chamado trade eleitoral, ou seja, a forma como os investidores posicionam suas carteiras diante das expectativas para o resultado das urnas, tem se sobreposto até mesmo às preocupações fiscais em alguns momentos do pregão.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o mercado brasileiro terminou o dia em território positivo depois de uma sessão marcada por bastante agitação, resultado tanto da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central sobre os juros quanto do noticiário envolvendo o Bolsa Família e novas investigações que também ocuparam a atenção dos investidores ao longo do dia.
Vale sustenta o Ibovespa, enquanto Petrobras e bancos ficam para trás
O desempenho positivo do Ibovespa na sessão desta quinta feira teve como principal sustentação as ações da mineradora Vale, uma das empresas de maior peso na composição do índice, que registrou valorização expressiva e ajudou a puxar a bolsa brasileira de volta ao território positivo depois de um início de pregão pressionado pelas notícias fiscais. Já as ações da Petrobras seguiram trajetória distinta, recuando em linha com a queda dos preços internacionais do petróleo, enquanto os papéis dos grandes bancos brasileiros tiveram desempenho misto ao longo do dia.
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou a sessão cotado a R$ 5,139, uma queda de 0,24% em relação ao fechamento anterior, marcando o segundo pregão consecutivo de desvalorização da moeda americana frente ao real. Com o resultado, o dólar passou a acumular queda de 6,37% no ano, reforçando a trajetória de valorização da moeda brasileira observada ao longo de 2026, mesmo em meio às incertezas do cenário político e fiscal doméstico.
Entre os principais índices negociados na B3, a bolsa de valores brasileira, o desempenho também foi misto nesta quinta feira. O índice de small caps, que reúne empresas de menor capitalização, recuou 0,68%, enquanto o IFIX, indicador que acompanha os fundos imobiliários, e o BDRX, que reúne recibos de ações estrangeiras negociados no Brasil, avançaram 0,13% e 1,38%, respectivamente. Já o setor de varejo de vestuário teve um dos piores desempenhos do dia, com ações de companhias como C&A, Riachuelo e Lojas Renner recuando nos minutos finais do pregão.
No exterior, o cenário ajudou a sustentar o otimismo dos investidores brasileiros ao longo da tarde. As bolsas de Nova York fecharam em alta, com o índice Dow Jones subindo 0,62% e o Nasdaq registrando valorização de 1,69%, reflexo direto da decisão do Federal Reserve de elevar a taxa de juros americana, movimento que, ao contrário do que normalmente se observa, não provocou uma reação de aversão a risco generalizada entre os investidores internacionais.
O saldo do mês e o que o mercado observa daqui para frente
Apesar da oscilação da sessão desta quinta feira, o saldo do mês de setembro para a bolsa brasileira segue bastante positivo. No acumulado do mês, o Ibovespa registra alta de 4,83%, enquanto no terceiro trimestre de 2026 a valorização já soma 8,12%. Desde o início do ano, a bolsa brasileira acumula um avanço expressivo de 15,4%, um desempenho que coloca o mercado acionário brasileiro entre os destaques globais no período, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados e de incertezas ligadas ao processo eleitoral.
Na semana, no entanto, o Ibovespa acumula uma leve queda de 0,65%, resultado que reflete justamente a volatilidade provocada pela combinação entre o noticiário fiscal, a decisão de política monetária do Banco Central e o andamento das pesquisas eleitorais, fatores que devem continuar no radar dos investidores nas próximas semanas, à medida que o país se aproxima do período eleitoral.
Do lado macroeconômico, o mercado também segue de olho nos dados vindos dos Estados Unidos, já que a divulgação de indicadores do mercado de trabalho americano, como o número de pedidos de auxílio desemprego, tem influenciado diretamente a percepção sobre os próximos passos do Federal Reserve. Na última leitura, os pedidos iniciais de auxílio desemprego caíram em 10 mil, para 196 mil, na semana encerrada em 12 de setembro, resultado que sugere um mercado de trabalho americano ainda resiliente, mesmo diante do aperto monetário promovido pelo banco central dos Estados Unidos.
Para investidores brasileiros, o cenário que se desenha para as próximas semanas é de atenção redobrada tanto aos desdobramentos fiscais do reajuste do Bolsa Família quanto à ata da reunião do Copom, prevista para o dia 22 de setembro, que deve trazer mais detalhes sobre a avaliação do Banco Central em relação aos riscos fiscais e à trajetória futura da taxa Selic. A combinação entre cenário eleitoral, política fiscal e política monetária deve seguir ditando o ritmo do mercado financeiro brasileiro até o fim do ano.
Fontes: