Nos bastidores do mercado financeiro brasileiro, o Bradesco se movimenta para surfar na onda da próxima grande transformação dos recebíveis: o banco está preparando o lançamento de um hub dedicado à duplicata escritural digital. Esta iniciativa representa um passo estratégico para se posicionar na linha de frente da modernização das operações empresariais, justamente no momento em que esse tipo de título de crédito ganha cada vez mais relevância.
A duplicata escritural digital é uma versão 100% eletrônica de um dos instrumentos mais tradicionais entre empresas para formalizar vendas a prazo. Ao converter esse título para um ambiente virtual, os registros passam a ser feitos por meio de sistemas autorizados, garantindo rastreabilidade, segurança jurídica e interoperabilidade entre diferentes instituições. Essa digitalização elimina boa parte da burocracia que ainda existe no modelo físico de duplicatas, abrindo espaço para operações mais ágeis.
Com a adesão de grandes bancos e entidades reguladas, o mercado já avalia esse movimento não apenas como uma evolução tecnológica, mas como uma nova linha de negócio promissora. Instituições financeiras, por exemplo, veem na duplicata escritural digital uma fonte de receita futura, já que será mais fácil antecipar recebíveis com menor risco e com estruturas mais escaláveis.
Por sua parte, o Bradesco, ao criar esse hub especializado, pretende facilitar a integração entre empresas emissoras de duplicatas e as escrituradoras – entidades que vão gerenciar o ciclo completo desses títulos em formato eletrônico. Essa infraestrutura permitirá que o Bradesco ofereça serviços de emissão, registro e negociação de duplicatas de forma mais eficiente, além de consolidar sua presença em um mercado que tende a crescer bastante nos próximos anos.
Outro ponto importante da iniciativa do banco é o alinhamento com a regulação vigente. O Banco Central já sinaliza que a duplicata escritural digital será implementada em fases entre 2025 e 2026, segundo cronograma regulatório recente. Com esse timing, o hub do Bradesco chega no momento certo para capturar oportunidades de crédito e fortalecer as cadeias produtivas, especialmente para pequenas e médias empresas que dependem de antecipação de recebíveis.
Além da vantagem operacional, a iniciativa pode trazer ganhos estratégicos: ao atuar como um nó de integração entre cedentes (quem emite a duplicata), escrituradoras e investidores, o Bradesco ganha visibilidade e relevância no ecossistema digital de crédito. Esse tipo de papel central pode gerar novos produtos financeiros, como securitizações ou serviços de tokenização, ampliando o portfólio do banco.
Do ponto de vista das empresas, a solução proposta pelo Bradesco pode representar uma revolução na gestão de caixa. Com registros digitais padronizados, será mais fácil negociar duplicatas, monitorar seu histórico e usar esses títulos como garantia. Isso tende a reduzir custos, minimizar riscos de fraude e acelerar o acesso ao crédito.
Para viabilizar toda essa operação, será fundamental o envolvimento de vários agentes: além do Bradesco, escrituradoras homologadas pelo Banco Central, registradoras e instituições de tecnologia terão papel fundamental no sucesso desse hub. A padronização e a interoperabilidade entre essas entidades são desafios, mas também oportunidades para impulsionar a liquidez do mercado de recebíveis.
Por fim, o movimento do Bradesco para lançar esse hub mostra que os grandes bancos estão levando a sério a duplicata escritural digital como parte estratégica de seu modelo de negócio. Se bem-sucedido, o projeto pode não só modernizar a forma como empresas gerenciam seus recebíveis, mas também criar uma nova geração de produtos financeiros, com impacto positivo para toda a cadeia de crédito empresarial no Brasil.
Autor: Brian Woods