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Uzbequistão mira US$ 1 bilhão em investimentos e aposta em fintechs para transformar sistema financeiro

Megan Westmere
Megan Westmere
Publicado setembro 3, 2026
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Estratégia até 2030 prevê capital estrangeiro, Open Banking, pagamentos digitais e novas estruturas para acelerar o ecossistema fintech do país.

Contents
Por que o Uzbequistão quer atrair US$ 1 bilhão para fintechs?Open Banking, pagamentos e dinheiro digital estão no centro da transformaçãoO que a estratégia revela sobre o futuro das fintechs e dos investimentos?

O Uzbequistão está intensificando sua aposta na inovação financeira e estabeleceu uma meta ambiciosa: atrair US$ 1 bilhão em investimentos estrangeiros para o setor de fintechs até 2030. A iniciativa integra uma estratégia nacional apresentada no Silk Road Finance and Technology Forum, em Tashkent, e pretende transformar o país em um dos principais polos de tecnologia financeira da Ásia Central.

Para consumidores e profissionais do mercado financeiro, porém, o ponto mais importante vai além do volume de capital anunciado. O plano envolve expansão do Open Banking, mudanças no ambiente regulatório de testes, modernização da infraestrutura de pagamentos e desenvolvimento de profissionais especializados. O país também discute novas aplicações de dinheiro digital e inteligência artificial no sistema financeiro.

A estratégia mostra como governos e reguladores estão tentando transformar digitalização financeira em uma vantagem competitiva para atrair empresas e investidores. E levanta uma questão relevante para outros mercados: o que é necessário para construir um ecossistema fintech capaz de receber bilhões em investimentos e, ao mesmo tempo, gerar benefícios concretos para consumidores?

Por que o Uzbequistão quer atrair US$ 1 bilhão para fintechs?

O objetivo de alcançar US$ 1 bilhão em investimentos estrangeiros até 2030 faz parte de uma estratégia mais ampla para posicionar o Uzbequistão como um centro regional de tecnologia financeira. O mercado parte de uma base que já demonstra crescimento: dados divulgados durante o fórum indicam adoção de pagamentos digitais superior a 70% e aproximadamente 100 startups fintech em atividade. A estratégia também prevê capacitar 5 mil especialistas até o final do período. O avanço é significativo quando observado historicamente: dados divulgados em 2025 apontavam que o número de empresas fintech havia aumentado de 24, em 2018, para 103 naquele ano.

A lógica econômica é transformar essa digitalização em um mercado capaz de receber capital privado em escala maior. Entre as iniciativas previstas está um fundo de venture capital de US$ 50 milhões, ligado ao banco central, concebido para ajudar a mobilizar investimento privado para empresas do setor. Durante as discussões realizadas em Tashkent, cerca de 30 investidores internacionais, representando aproximadamente US$ 4 bilhões em ativos sob gestão, participaram de conversas sobre oportunidades no ecossistema financeiro tecnológico do país. A combinação entre recursos públicos, capital privado e regras específicas para inovação pode facilitar desde o nascimento de novas startups até rodadas maiores de financiamento.

Para profissionais do mercado, a iniciativa também mostra que competir por investimentos em fintech exige mais do que oferecer incentivos financeiros. A estratégia contempla um Innovation Hub do banco central, alterações nas regras de Open Banking e do sandbox regulatório, além de modernização da infraestrutura de pagamentos. O sandbox tem papel particularmente importante porque permite testar produtos financeiros inovadores em ambiente controlado antes de sua adoção em escala. A intenção é diminuir barreiras para experimentação sem abandonar mecanismos de supervisão, uma equação cada vez mais relevante para reguladores diante do crescimento acelerado das tecnologias financeiras.

Open Banking, pagamentos e dinheiro digital estão no centro da transformação

Um dos principais desafios identificados pelo Uzbequistão está nos pagamentos internacionais. Enquanto sistemas domésticos ficaram mais rápidos e digitais, transferências entre países ainda podem enfrentar custos elevados, diferenças regulatórias, controles cambiais e estruturas bancárias pouco integradas. A questão tem peso especial na Ásia Central porque remessas internacionais representam parcela relevante da economia regional. No Uzbequistão, os dados apresentados durante o fórum colocaram essas remessas em aproximadamente 15% do PIB, reforçando a importância de tornar transferências internacionais mais eficientes.

A estratégia prevê priorizar conexões de pagamentos com países próximos, como Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão, enquanto também são avaliados corredores financeiros ligando a Ásia Central à China, Índia, países do Golfo e Sudeste Asiático. Para o consumidor, iniciativas desse tipo podem ser relevantes porque sistemas interoperáveis têm potencial para simplificar transferências e ampliar a concorrência entre provedores financeiros. O Open Banking acrescenta outra camada a essa transformação ao permitir, sob regras de segurança e consentimento, maior integração entre instituições e serviços. A experiência brasileira com o Open Finance e o Pix demonstra como infraestrutura financeira compartilhada pode abrir espaço para novos produtos, embora cada mercado tenha regras e características próprias.

Outro ponto que merece atenção é o futuro do dinheiro digital. Autoridades do banco central uzbeque discutiram um modelo no qual uma moeda digital de banco central de atacado poderia funcionar como camada de liquidação para stablecoins emitidas pelo setor privado, com instituições licenciadas mantendo o relacionamento com clientes e testes conduzidos dentro de um sandbox regulatório. O projeto ainda precisa ser entendido como uma direção em estudo, e não como um sistema já implementado para consumidores. Ainda assim, mostra como moedas digitais, tokenização e infraestrutura de liquidação estão entrando na agenda de países que pretendem modernizar seus mercados financeiros.

O que a estratégia revela sobre o futuro das fintechs e dos investimentos?

O caso do Uzbequistão mostra que a próxima etapa da inovação financeira pode ocorrer também fora dos grandes centros tradicionais de fintech. Mercados emergentes com populações jovens, adoção crescente de pagamentos digitais e espaço para modernização bancária podem se tornar destinos relevantes para capital de risco. A própria estratégia estabelece metas que vão além do investimento: o país pretende ampliar o ecossistema, desenvolver profissionais especializados e fortalecer estruturas regulatórias e tecnológicas. Para investidores institucionais e empresas financeiras, isso cria um mercado que merece acompanhamento, mas não elimina riscos relacionados a regulação, execução dos projetos, segurança digital e sustentabilidade dos modelos de negócio.

A cibersegurança, inclusive, aparece como elemento importante dessa expansão. O banco central está avançando em uma abordagem de supervisão baseada em risco, apoiada por uma estrutura de maturidade de segurança cibernética para instituições financeiras. Quanto mais pagamentos, dados e produtos migram para ambientes digitais, maior se torna a necessidade de proteger informações financeiras e identificar fraudes. O mesmo princípio vale para inteligência artificial: bancos podem utilizar modelos externos, serviços de nuvem e fornecedores tecnológicos, mas continuam responsáveis pelas decisões financeiras e pelos riscos associados às ferramentas utilizadas.

Para o Brasil, acompanhar movimentos como esse ajuda a entender como a competição global por inovação financeira está evoluindo. O mercado brasileiro possui particularidades importantes, incluindo Pix, Open Finance, bancos digitais e um ecossistema consolidado de fintechs, enquanto outros países tentam construir suas próprias infraestruturas e ambientes regulatórios. Não se trata de afirmar que uma estratégia pode simplesmente ser reproduzida em outro país, mas de observar quais elementos estão se tornando recorrentes: interoperabilidade, APIs financeiras, sandbox regulatório, fundos para startups, cibersegurança, inteligência artificial e novas formas digitais de dinheiro. Esses componentes ajudam a explicar para onde parte dos investimentos em tecnologia financeira pode se direcionar nos próximos anos.

A meta de US$ 1 bilhão até 2030 é, portanto, apenas a parte mais visível da estratégia uzbeque. O resultado dependerá da capacidade de transformar metas regulatórias e financeiras em empresas sustentáveis, produtos competitivos e serviços realmente utilizados pela população. Para o consumidor, o sucesso deverá ser medido não apenas pelo número de fintechs ou pelo capital captado, mas pela possibilidade de acessar pagamentos, crédito e outros serviços financeiros de maneira mais eficiente, segura e competitiva.

Para profissionais de fintech, o movimento deixa uma mensagem igualmente relevante: governos estão tratando infraestrutura financeira digital como instrumento de competitividade econômica. Open Banking, pagamentos interoperáveis, inteligência artificial, sandbox regulatório e dinheiro digital deixaram de ser discussões isoladas para formar partes de estratégias nacionais de desenvolvimento. O Uzbequistão agora tenta converter essa combinação em investimentos concretos e em uma posição de destaque na Ásia Central — um processo que poderá oferecer novas referências sobre como mercados emergentes constroem seus ecossistemas de inovação financeira.

Fontes:

  • CFOtech Asia — estratégia do Uzbequistão para atrair US$ 1 bilhão em investimentos em fintechs: CFOtech Asia
  • IT Brief Asia — detalhes sobre Open Banking, pagamentos internacionais, CBDC, stablecoins e cibersegurança: IT Brief Asia
  • UzDaily — evolução do ecossistema fintech do Uzbequistão e metas para 2030: UzDaily

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